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Deixa-te levar, a menos que estejas a fugir à polícia. «Fugir à polícia», uma das poucas expressões que não sofreram remodelações ao longo dos tempos. Ninguém é perfeito – disse-me um Deus não catalogado. Os livros de História são como que um Benjamim Button: nascem velhos. Deixemos, por agora, as analogias, procuremos, sim, ligações impossíveis, aquilo que permanece sem ligação. E isto: as pessoas com mais valências, ao contrário dos átomos, são as últimas a sair: a conhecer o tão certo despedimento. E o que é morte senão o derradeiro e último despedimento? E um rol de finais possíveis: somente um pode ser escolhido. Por mais arguto que seja o escriba, apenas poderá facultar, ao texto, um mísero e único final. Mas, atente-se, o que é hoje produto, amanhã pode ser reagente: vivemos, parece-me, num eterno equilíbrio. Esta é a química daquilo a que chamamos acaso. Até que caímos e mandamos foder todas as leis da Física. De facto, a gravidade é uma gigante e invisível casca de banana. E caímos novamente.

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