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Nem sempre nos podemos dar ao luxo de começar um texto assim, cheiinho de utilidade pouco convincente, mas quando o ensejo nos abraça há que aproveitar a oportunidade e a redundância. Amputemos, pois, este fraco começo e debrucemo-nos sobre os beijos e flores comummente usados na poesia e na primavera. O desabrochar como elo entre a badalhoquice e a poesia: eis uma frase. A poesia é, por assim dizer, uma primavera que dura todo ano. Não há poetas ricos, disse um anónimo que mora no andar de cima deste texto. A função da poesia é questionável. Como todas as questões, claro está. O Fernando Pessoa sem se aperceber – também, verdade seja dita, é muito difícil nos apercebermos das coisas quando enfrentamos a última horizontalidade –, tornou-se a muleta da primeira queca. E isto: um bom final.

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